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Para Pochmann, estamos vivendo uma terceira grande transformação do mundo do trabalho

Marcio Pochmann, participou da última reunião da direção ampla da CNM/CUT, junto com a Secretária-Geral da CUT, Carmen Foro. Debate foi sobre a organização dos trabalhadores e mudanças estruturais

O que está acontecendo no Brasil, na verdade, é uma mudança de época. Estamos diante de uma outra sociedade, que é uma sociedade agora de serviços e que predomina o trabalho imaterial. Parto da hipótese que nós estamos vivendo a terceira grande transformação do mundo do trabalho.

Assim começou a fala do professor da Unicamp e ex-presidente da Fundação Perseu Abramo (FPA), Marcio Pochmann, nesta quinta-feira (10), durante a última reunião da direção ampliada da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) de 2020.

O pesquisador ressaltou as duas grandes transformações que o país viveu nessa área – a abolição da escravidão e a industrialização -, até chegar aos dias atuais em que ele acredita estarmos passando por uma mudança também muito significativa.

Segundo ele, o trabalho, agora, ocupa não só os lugares específicos como as fábricas, mas também o ambiente doméstico. E isso acarreta um outro jeito de pensar e formar a opinião dessa classe trabalhadora.

“Os sindicatos oferecem serviços judiciais, soluções no ambiente de trabalho, mas não atendem outras demandas que hoje também influenciam diretamente na vida dos brasileiros. “Ocorre que esse trabalhador da sociedade de serviços não tem apenas problemas no local de trabalho”, explicou o professor.

Ele ainda completa: “Neste momento, de fato há uma mudança de época e ela exige um rumo novo, e esse rumo precisa ser mais rapidamente conduzido”.


Mudança estrutural

O Secretária-Geral, Carmen Foro, disse que é preciso observar, debater e encontrar soluções sobre temas fundamentais na vida da classe trabalhadora, como o aumento do desemprego, precarização do trabalho, aumento da pobreza e extrema pobreza, concentração de renda, desmonte das organizações sindicais e pulverização nas bases. Ela também cita a ofensiva ideológica que promove o ódio e nega a identidade e solidariedade de classe, além da mudança radical da organização na produção.

“É preciso que a CUT e os seus sindicatos atue de maneira vigorosa no próximo período. Que seja um elo importante para uma articulação com os nossos parceiros estratégicos para desconstruir esse governo e todas essas visões”, enfatizou.


Ampliar organização

Carmen citou ainda a importância de organização dos trabalhadores informais, de aplicativos e plataformas, além dos desempregados.

“Eles não deixaram de ser trabalhadores porque estão desempregados”, ressaltou a dirigente.


Reação estratégica

Carmen Foro também tocou num ponto de extrema importância para a construção de um país mais democrático e justo: a luta das mulheres, dos negros e negras, da juventude e das pessoas com deficiência.

“A classe trabalhadora brasileira é negra! As mulheres são mais de 50% da população e estão muito precarizadas. Se a gente não enxergar agora tudo isso, eu acho que a gente nunca mais vai ver”, exclamou.

Ela finaliza sua intervenção otimista com o próximo ano e já lembrando os metalúrgicos e metalúrgicas sobre a plenária nacional da CUT de 2021, que está previsto para acontecer no segundo semestre do ano:

“Acho que a plenária nacional vai nos ajudar a construir e consolidar ideias para continuarmos tendo a CUT e os sindicatos da CUT como os mais fortes para a classe trabalhadora. Nós vamos seguir em luta. 2021 é um ano que nos espera com muita força e teremos capacidade de atravessar e chegar ao final dele muito melhores”.


De olho em 2021

Após algumas observações de dirigentes que pediram a palavra, o Presidente da CNM/CUT, Paulão, encerrou o encontro com uma fala enérgica e firme, pedindo ação dos sindicatos em todo o país, inclusive nos territórios digitais, e cobrou responsabilidade e comprometimento de todos com a Confederação, “um importante instrumento de luta da categoria metalúrgica”.

A última reunião da direção ampliada da CNM/CUT terminou por volta das 12h e contou com a presença de dirigentes sindicais de várias regiões do Brasil.

*Matéria escrita com apoio da Mônica Cury, jornalista do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora e Região