Mortalidade em acidentes de trabalho tem cor, gênero e região, afirma sindicalista

Secretária de Saúde do trabalhadora da CNM/CUT destaca o papel dos sindicatos na proteção da saúde da classe trabalhadora


Fonte: CNM/CUT






A mortalidade por acidentes de trabalho no Brasil, embora estável, é alta e atinge mais homens, negros, índios e pessoas com baixa escolaridade, além de ter maior incidência nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Essas conclusões constam em artigo da Fundacentro, órgão governamental de pesquisa em saúde e segurança do trabalho.

“Os resultados deste estudo são bastante impactantes e se referem a trabalhadores formais e informais, mas na prática é possível que reflitam mais a realidade dos trabalhadores formais. É possível que os acidentes de trabalho relacionados aos trabalhadores informais ainda sejam subnotificados, revelando uma realidade ainda mais dramática no Brasil”, afirma a secretária de Saúde do Trabalhador da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Maria de Jesus.

Pelos dados, a maioria das mortes por acidentes ocorre entre homens em idade considerada produtiva (de 20 a 59 anos) e com baixo nível de escolaridade (sem instrução e ensino fundamental incompleto). No recorte por gênero, a mortalidade entre os homens “é consideravelmente superior” em todas as regiões. Varia de 2,95 a 7,77 a cada 100 mil trabalhadores, enquanto entre as mulheres vai de 0,35 a 1,17.

A precariedade de informações públicas e de dados oficiais sobre acidentes de trabalho no Brasil dificulta a análise e a interpretação dos fatores que influenciam ou que potencializam o risco de o trabalhador sofrer um agravo, constituindo um grave problema de saúde pública”, advertem os pesquisadores.

“A escassez e inconsistência das informações sobre a real situação de saúde dos trabalhadores comprometem a definição das prioridades para as políticas públicas, o planejamento e a implementação das ações de Saúde do Trabalhador”, desta a dirigente.

No Brasil, de acordo com a lei 8.080 de 1990, a saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.

A lei também enfoca que, para ter saúde, alguns fatores são determinantes, tais como alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens de serviços essências.

“Todas essas pautas são diariamente ignoradas pelo atual governo, mas é papel do sindicato atuar nesta esfera para defender a vida do trabalhador”, ressalta Maria.

Após quase 28 meses de pandemia, neste mês, em que se comemora o dia Mundial da Saúde (07 de abril) e Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho (28 de abril), a Confederação Nacional dos Metalúrgicos, a CNM CUT destaca o papel fundamental dos sindicatos, na proteção da saúde da classe trabalhadora, seja por meio de negociação de normas de segurança contra a COVID-19 seja através de uma série de protocolos específicos para o local de trabalho, além da importância da segurança no local de trabalho para a saúde física e mental.